domingo, 29 de junho de 2014

A culpa é das tequilas

"Não fui eu, foi o álcool". Provavelmente você já deve ter escutado algo parecido com isso antes por ai. Pois eu já e muito. Primeiro pense que as pessoas são movidas por uma série de vontades e/ou necessidades constantemente. Tenho notado que a lucidez aparente de uma pessoa que bebe é relativa, pois a percepção da própria falta de sentido é tardia ao acontecimento. De modo que, se você se embriagar só perceberá que está realmente bêbado depois de um bom tempo, pelo menos o suficiente pra começar a demonstrar os sinais. Eu não estou bêbado, leia isso novamente na voz do personagem Tom Canabrava. Esse é um sinal de embriaguez. A mudança da voz, também da percepção sensorial, auditiva e visual que são decorrentes do consumo alcoólico. 

Outro dia parei pra ouvir algumas histórias de pessoas conhecidas, aliás, eu tenho ouvido histórias até de desconhecidos só por lazer. Rosana era o nome da garota. Ela começou a contar pro grupo de amigos entre eles eu, o que havia feito na noite passada. O que Rosana não sabia, ou fingiu não saber é que muito do que ela fez na noite passada foi decorrente da sua vontade subconsciente. Dizia ela: "Mas eu não queria isso, eu juro". E ouvia boa parte das amigas dizendo: "Eu te entendo miga, já aconteceu isso comigo". Porém, quando Rosana saiu da rodinha, começou o real diálogo. "Amiga, a Rosana bebeu quatro tequilas ontem!", "Você já imagina o que ela aprontou naquela balada né? Nem te conto".  E eu, sabendo o que Rosana fez, pensei comigo mesmo sobre o julgamento que estavam fazendo da pobre coitada.

Afinal, muitas dessas mesmas garotas já haviam feito a mesma coisa, ou parecidas, e os caras também já haviam bebido todas, deram vexame por ai e foram carregados pra casa. Entretanto, observei um fato curioso. Rosana disse que as tequilas, as inocentes tequilas foram causadoras de suas atitudes. Ela não fez nada, tadinha, jamais que uma menina de família daquela poderia causar na balada. Quis então saber quão bêbada Rosana estava aquele dia, a ponto de ir pra casa do Mateus dormir com ele e o Lucas na noite passada, após ter ficado com 1/6 dos caras naquela mesma noite.

Segundo a Wikipédia, a tequila é uma bebida originalmente produzida no México, que normalmente possui teor alcoólico de 38% a 40%, podendo ser prata ou ouro. Pense que a cervejinha que bebemos possui aproximadamente 5% de teor alcoólico, ou o vinho tinto que possui 10%. Também fui conversar com Rosana e descobri algumas coisas interessantes. A inocente criança sai apenas duas vezes ao mês, o que é pouco até considerando seus vinte anos e o status solteiro, visto na ultima vez que consultei seu facebook. Toda a vez que ela sai pra algum lugar costuma beber, mas as baladas mais legais que ela já foi tomou no mínimo três tequilas. Quando tomou uma só foi legal, mas nada comparado às outras. Outra coisa que descobri. Rosana não consegue namorar por muito tempo. Toda vez que engatou um namoro acabou terminando pouco tempo depois porque não conseguia ficar com um cara só. Seu último namorado, contou diretamente a mim que ela, quando bebia, ficava mais "assanhadinha". Porém, até ai, nada de mais.

O importante é que descobri uma coisa. Rosana é só mais uma vítima da ilusão do álcool. Desviar nossos pensamentos conservadores e falsos moralistas é só uma parte do que as bebidas são capazes de fazer. A droga inclua o álcool e muitas outras no meio, é capaz de te fazer coisas incríveis e que provavelmente não teria coragem de fazer quando sóbrio. Por exemplo: ficar com uma, duas ou 30 pessoas na balada; participar de um ménage à trois ou vomitar na porta da balada é só uma consequência das inúmeras coisas ruins (dependendo do seu ponto de vista) que as drogas também podem fazer.

Porém, veja bem. A pessoa ao procurar o álcool já vai consciente de tudo que pode acontecer. Sobretudo quando já vivenciou algo parecido. A pergunta que muitos fazem: "Se vai ficar fora de si, então porque você bebe?". Porra, eu bebo porque eu quero e assumo todos esses efeitos. É uma regra simples, quanto maior o consumo, maior o efeito e maior o risco. Mas o álcool tem esse poder, de nos fazer pensar que somos melhores, mais bonitos, mais atraentes, os amigos ficam mais legais, a festa, a música, tudo é mais. Essa falsa, e ao mesmo tempo tão verdadeira, sensação precisa ser alimentada e então, bebemos mais e mais. Uma dose, duas, três e quando vai ver já está feita a cagada.

           Então você me pergunta: "E a Rosana?" Bom, ela foi embora agora a pouco daqui de casa. Ontem chamei ela pra sair, conversamos, rimos, e lógico, bebemos muita tequila, que por sinal estava muito boa. No começo ficou relutante, e disse que não era dessas garotas que iam pra casa do cara na primeira noite. Curtimos a balada, demos muitas risadas como havia de ser. Eu para me manter sóbrio, resolvi intercalar com um suco e fui de barriga cheia. Então aos poucos ela foi bebendo e se soltando, acabou dormindo aqui essa noite. "Você embebedou a menina?" Cara, pensando bem... Não fui eu, foi a tequila.  

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